O mercado de adquirência está mudando. As adquirentes estão deixando de ser simples provedores de máquinas de cartão para serem hubs de serviços, como explicou o CEO da SafraPay e VP de varejo do banco Safra, Pedro Coutinho: “O papel da adquirente deixa de ser a empresa da maquininha para ser um hub de serviços. Todas as representantes (do setor) têm soluções para atender o cliente com tecnologia, preços (justos), combate a fraudes e gestão de riscos”, disse o executivo.

Durante o Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamentos (CMEP), organizado pela Abecs na última quarta-feira, 2, em São Paulo, Coutinho afirmou que o setor de adquirência tem mais oportunidade de sobrevivência que o de cartões, devido à evolução que o setor vem passando, com mais competição, queda nos preços, mais ofertas de produtos e inovações tecnológicas.

Por sua vez, o CEO da Cielo, Estanislau Bassols, afirmou que o caminho para o futuro das adquirentes passa por tornar a camada de pagamentos mais “simples e instantânea”, e, para isso acontecer, é preciso manter os meios de pagamento com segurança, ubiquidade, pouco atrito e buscar novos mercados.

“Interessante que nós pensamos no futuro, mas sempre pensamos naquilo que está mudando. Mas eu acho interessante aquilo que não muda”, disse Bassols. “O que não muda? Não muda o fato de que continuaremos fazendo pagamentos. Não muda que vamos precisar ter viabilidade, simplicidade, segurança. E não muda que nós, adquirentes, vamos continuar buscando novas oportunidades”, completou.

Mayra Borges de Souza, VP de negócios na Getnet, afirmou que as adquirentes deixaram de ser coadjuvantes e acessórios pela importância que a fluidez e a inovação nos pagamentos trazem para o incremento de receitas das empresas. Mas reforçou que o setor precisa seguir adicionando mais tecnologias para ser um “hub de tudo”.

“Hoje, o consumidor quer diferentes formas de pagamento. A nossa missão é que a maquininha de cartão aceite todas as formas. Quando concentro os meus pagamentos na maquininha, eu ajudo o comércio a conciliar tudo que está recebendo, se organizar e fazer a gestão financeira. Por isso, saímos da esfera de pagamento e entramos com gestão, conciliação e com fluxo de caixa”, exemplificou Souza. “Assim como o telefone virou smartphone, a maquininha virou smart maquininha. Isso possibilitou que o pequeno varejo tivesse automações comerciais e soluções de gestão financeira que não tinham antes”, relatou.

Porém, Coutinho reforçou que neste novo mundo das adquirentes é preciso aprender a “cobrar direito” por seus serviços. O CEO da SafraPay deu como exemplo a redução de fraude para o e-commerce que ajuda o comerciante a aumentar as receitas e aprovar mais transações.

“Na minha opinião, nós adquirentes não sabemos cobrar o serviço que prestamos. Isentamos a maquininha, a taxa de serviço, a receita anual fica negativa, e aí ganhamos apenas na antecipação. E aquela tecnologia que está por trás? A Apple consegue cobrar. Cada app que baixamos, ela vai lá e cobra de nós. E nós não conseguimos fazer isso?”, questiona o executivo, ao comparar a oferta de serviços das adquirentes ante o marketplace da big tech.

Oportunidades

Apesar dos desafios para se tornarem hub de serviços, as empresas do setor de pagamento começam a enxergar oportunidades, além do comércio tradicional. Coutinho, do SafraPay, citou uma iniciativa que sua companhia criou para o segmento de cartórios, um portal para o notariado, o vendedor do imóvel e o comprador terem a transação feita sem estarem fisicamente no cartório.

Já a VP da Getnet explicou que o setor de adquirência precisa pensar em avançar para “capturar mais oportunidades” em outras verticais, como condomínios, tributos e educação. Assim como ao abordar as chances regionais: “A pesquisa do Banco Central fala que 66% dos consumidores do nordeste ainda usam dinheiro como meio de pagamento principal. Assim, a oportunidade que temos aqui ainda é de digitalizar os pagamentos. Isso vale para o grande e o pequeno (comerciante)”, completou.

Entre as frentes de negócios que o CEO da Cielo vê com potencial estão o comércio eletrônico, a omnicanalidade e segmentos do comércio que não são abastecidos por dados. De fato, uma pesquisa da Cielo aponta que quase um terço dos comerciantes de sua base não trabalham com dados. Mas a maioria dos seus clientes (90%) reconhecem que os meios de pagamentos ajudam a fidelizar os clientes.

Imagem principal: No telão, Pedro Coutinho, CEO da SafraPay (crédito: Henrique Medeiros/Mobile Time)

 

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