A Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) está trabalhando para a integração do Pix na trilha de cartões. Apresentada nesta terça-feira, 1, durante o Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamentos (CMEP) em São Paulo, a ideia na prática é colocar os pagamentos instantâneos como mais uma opção para o consumidor pagar na maquininha de cartão (POS) com a tarjeta.
De acordo com Giancarlo Greco, presidente da Abecs, o Pix seria uma terceira opção para o cliente no ponto de venda, ou seja, se hoje o consumidor escuta da operadora de caixa ‘crédito ou débito’, a associação quer colocar nesta opção ‘crédito, débito ou Pix’.
Greco afirmou que a inclusão do Pix na trilha do cartão seria natural e não mudaria as características do pagamento instantâneo, como a liquidação do pagamento em tempo real. Mas a ideia é colocar camadas adicionais de segurança e conveniência, a partir da capacidade instalada de cartões.
Segundo Marcelo Tangioni, presidente da Mastercard Brasil, a ideia é replicar a experiência dos cartões. Isso inclui não apenas o pagamento por aproximação (carteiras, celular) e pagamento via cartão de plástico, mas a inclusão de serviços como chargeback, contestação de pagamento e prevenção à fraude.
Para Renato Cantini, diretor financeiro da RD Saúde e líder do comitê de serviços financeiros e meios de pagamento do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), o Pix na trilha do cartão junto ao débito e crédito permitirá resolver problemas que a solução tem hoje para o ponto de venda e a frente de caixa.
“O Pix na loja física é tímido, tem 5% a 10% no share contra 50% a 55% no digital, como vemos no IDV. Na frente do caixa, o cliente quer agilidade. O Pix no físico não atende a dor do consumidor, não traz facilidade. O Pix por aproximação trouxe uma melhora tímida”, disse o representante do varejo.
Por sua vez, Fernando Amaral, VP de soluções e inovações da Visa, reforçou que o Pix na trilha do cartão pode alavancar o crescimento e a simplicidade no ponto de venda, levando mais segurança e agilidade para o consumidor, a partir de um trabalho em conjunto da indústria.
Pix no cartão, a vez do BC
Greco afirmou que o tema ainda está em debate para confecção deste ecossistema. Não há testes em curso. Explicou que não há barreiras técnicas para o desenvolvimento desta solução, mas sim a necessidade de uma normativa do Banco Central para incluir o Pix na trilha de cartão.
As conversas entre o BC e a indústria de pagamentos para juntar os dois temas estão ocorrendo há um ano, como explicou o presidente da associação. Mas enfatizou que o regulador olha de maneira minuciosa e que o avanço depende apenas do seu aval.
Sobre a possibilidade dessa solução ser obrigatória, Greco acredita que as instituições que operam o Pix (bancos e carteiras, por exemplo) devem aderir à trilha dos cartões por suas vantagens.
Imagem principal: Ricardo de Barros Vieira, VP executivo da Abecs (direita); e Giancarlo Greco, presidente da Abecs (crédito: Panorama Abecs/ Léo Orestes)