A utilização do celular como máquina de POS para aceitação de pagamento por cartão, o Tap on Phone (também conhecido como Tap to Phone ou Tap to Pay) começa a ganhar tração no mercado brasileiro. De acordo com Rodrigo Cury, VP de desenvolvimento de negócios da Visa, o Brasil possui atualmente 7 milhões de dispositivos habilitados para este meio de pagamento.

Durante painel no Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamentos (CMEP), organizado pela Abecs em São Paulo nesta quarta-feira, 2, Cury afirmou que a tecnologia não tinha muita importância na indústria de pagamentos no começo, mas demonstrou um potencial enorme para penetrar mais na população.

Para Felipe Sessin e Silva, superintendente de produtos de adquirência da Sicredi, os 7 milhões são um marco, mas ainda é pouco perto do potencial que o Tap on Phone tem. Deu como exemplo o fato de que o Brasil tem 22,7 milhões de empresas, sendo que 20 milhões dessas são  micro e MEIs, um público para o qual o arranjo de pagamento teria uma grande aderência, uma vez que podem se beneficiar de cinco pilares:

  1. Segurança,  ao trocar o dinheiro físico pelo digital nos comércios;
  2. Escalabilidade, pois o acesso é fácil, basta baixar um app, se cadastrar e começar a receber pagamentos em um celular com NFC;
  3. Mobilidade, pois os profissionais liberais podem concentrar suas tarefas em campo em um único device;
  4. Redução de custos, uma vez que outro dispositivo onera a operação do comerciante, mas também para a indústria, que gasta com técnico em campo e logística.
  5. Gestão do caixa com a canalização dos recebimentos em um único canal.

Apesar dessas vantagens, Carlos Alves, VP executivo de tecnologia e negócios da Cielo, afirmou que a tecnologia não deve substituir a máquina de cartão (POS) habitual. O executivo acredita que o Tap on Phone será “complementar” a outros meios de pagamento existentes.

Nesta divisão de tarefas, o Tap on Phone pode ser usado para ações mais móveis, como eliminação de fila, e a maquininha serve para trazer mais capacidade de serviços e apps ao comerciante, assim como o uso do chip, o teclado e a impressora. Alves lembra que em uma pesquisa recente da adquirente 70% dos comerciantes afirmaram que conhecem a tecnologia, mas 50% deles não trocariam a POS.

Segundo Mayra Borges de Souza, VP de negócios na Getnet, o Brasil tem um parque de atualmente 29 milhões de maquininhas de cartão, o terceiro do mundo.

Tap on Phone: aplicações, perfis e casos de uso

Sessin e Silva, da Sicredi, reforçou que o Tap on Phone ainda está no começo da sua jornada e que há opções para avançar em mais segmentos, além de ser uma simples tarefa de pagamento. Lembrou que é possível utilizar esta tecnologia de forma embarcada nos apps de bancos e atender a indústria de benefícios.

Pelo lado dos consumidores, o executivo reforçou que assim como os casos de uso conhecidos próximos aos comerciantes (profissionais liberais móveis, MEIs e microempresas que precisam no ponto de venda ou salão), o Tap on Phone também tem a capacidade de ser contingência, em caso de problemas de conectividade ou quebra de POS.

Um exemplo foi a retomada da economia no Rio Grande do Sul após as pesadas chuvas no primeiro trimestre de 2024. Na época, a Sicredi, ficou com 70% das agências, 30% da base, 100% dos postos avançados com máquina POS afetadas: “Passada a fase do essencial (água, luz, comunicação), nós precisamos ajudar a fazer a economia girar. Aceleramos a retomada da economia por meio do Tap on Phone ao liberá-lo para 100% da base. Por isso, a tecnologia como contingência é importante”, completou Sessin e Silva.

Por sua vez, Alves, da Cielo, indicou que é possível trazer mais capacidade ao Tap on Phone, como incluir a jornada comercial. Exemplificou com a possibilidade para empreendedores colocarem gestão de catálogo de produtos e serviços ou até oferta de cupons junto ao pagamento via celular. Ou seja, ser “uma interface que se adapta à proposta de valor do estabelecimento à conveniência do consumidor”.

No seu caso de uso, a companhia levou o Tap on Phone para o programa das MARAS da Gerando Falcões, sendo que a tecnologia de pagamento foi integrada ao ERP do grupo para auxiliá-las nas vendas.

 

Foto: Participantes do painel no Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamentos (CMEP), organizado pela Abecs em São Paulo nesta quarta-feira, 2. Crédito: Henrique Medeiros/Mobile Time

 

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