Em debate promovido pelo Grupo de Trabalho (GT) de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) do BRICS sobre sustentabilidade ambiental, a União Internacional de Telecomunicações (UIT) apresentou sua linha de ação “verde”. Nela, há a defesa, entre outros pontos, à adoção de padrões de menor impacto ambiental para tecnologias de rede móvel mais novas como 5G, 6G e Open RAN. A orientação, que guia o setor em sentido alinhado aos interesses comuns, foi destacada pelos membros do GT em coletiva realizada nesta quinta-feira, 3.
A contribuição da UIT ocorreu durante seminário promovido nesta semana, que auxilia na construção de consensos que vão compor propostas à declaração ministerial de TICs. Alexandre Moraes, assessor internacional da Anatel, ressalta que o tema já vem sendo discutido nos últimos anos, mas o debate atual sobre como usar a tecnologia para avançar na agenda ambiental é mais uma oportunidade de reforço.
“O padrão do 6G, que começou a ser desenvolvido com a aprovação do framework pela UIT em 2023, já inclui como questão basilar considerar a sustentabilidade. Então, a ideia é que, quando [o setor] vai propor um padrão que queira ganhar essa chancela de sistema 6G, vai ter que atingir as metas de consumo baixo de energia por bit transmitido”, exemplificou Moraes.
Outra questão que vem sendo defendida pela UIT é o uso das infraestruturas de telecomunicações para reforçar o sistema de monitoramento climático. No Brasil, há recente acordo firmado entre a Telebras e o Inmet neste sentido.
Entre as contribuições recebidas durante o seminário e destacadas pelo GT estão ainda o uso eficiente de energia para as redes 5G, OpenRAN, além de data centers.
Declaração ministerial
Nesta manhã, o GT de TIC dos BRICS realizou a segunda reunião, dando início à construção de recomendações, apontando os pontos-chaves. As propostas dos países ainda serão enviadas para posterior consolidação e análise.
Há quatro prioridades elencadas, firmadas desde o primeiro encontro. A sustentabilidade ambiental é uma delas. As demais são:
- Ecossistema digital: envolvendo questões de direito digital e equilíbrio entre desenvolvimento econômico e responsabilidades éticas e sociais.
- Sustentabilidade Espacial: discutindo otimização do uso do espectro, evitando interferência prejudicial entre dispositivos, além do lixo espacial.
- Conectividade significativa: incluindo um mapeamento com base em indicadores que sejam consensuais entre os países, entre eles, disponibilidade e uso da rede, letramento digital e cibersegurança.
Imagem principal: Alexandre Moraes, assessor internacional da Anatel; e William Zambelli, coordenador-Geral de Políticas Públicas para Serviços de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, em coletiva. Crédito: Carolina Cruz/Mobile Time