Uma forma de vencer a resistência de algumas empresas em relação ao custo dos projetos de redes celulares privativas (RCPs) pode ser a adoção de um modelo de negócios de venda como serviço. Este caminho está sendo adotado há seis meses pela norte-americana Boldyn Networks, especializada na construção de projetos de RCPs e DAS. Seu CEO, Mikko Uusitalo, participou de painel sobre o tema no MWC25 (Mobile World Congress), em Barcelona, nesta quarta-feira, 5.
“É complexo instalar uma rede celular privativa. Nós tiramos essa complexidade na venda como serviço. Nós operamos a RCP com o SLA que o cliente quiser. E o Capex que ele gastaria pode investir em casos de uso”, descreveu o executivo. No modelo ‘as a service’ os contratos precisam ser de no mínimo três anos, ressaltou. Quanto mais longo, menor o preço mensal. A Boldyn já implementou 110 RCPs ao longo dos últimos seis anos, mas não informou quantas foram vendidas no modelo ‘as a service’.
Rui Yang, executiva da ZTE especializada em RCPs, concordou que a venda como serviço viabiliza novos projetos e dá flexibilidade ao cliente para selecionar quais funcionalidades e que nível de qualidade (capacidade, latência etc) deseja na rede. Uma das grandes vantagens desse modelo é tirar do cliente também o trabalho operacional, que requer engenheiros especializados em telecomunicações.
Rede celular privativa: desafio de comunicação
O CEO da Boldyn entende que a disponibilidade de espectro para redes privativas não é mais um problema em muitos mercados – embora a sua padronização a nível mundial ainda seja. Na sua opinião, o maior desafio agora é explicar para os clientes as diferenças para outras tecnologias, como Wi-Fi. “São tecnologias diferentes, com benefícios distintos”, disse.
A head de portfolio corporativo da Vodafone, Jennifer Didoni, concordou: “Como toda nova tecnologia, houve um hype em torno de RCPs, mas agora está mais claro quais problemas elas resolvem. É irresponsável dizer que 5G resolve tudo. Temos que ser responsáveis em apontar para onde serve e para onde não serve”, defendeu. Didoni explica que a tecnologia celular é recomendada em projetos de cobertura em espaços abertos ou fechados de grande extensão.
Foto no alto: painel sobre RCPs no MWC25, em Barcelona (Crédito: Fernando Paiva/Mobile Time)