Em pouco mais de um ano a Evertec passou de menos de 100 colaboradores para mais de 2 mil no Brasil. Ao todo, a multinacional reúne 5 mil funcionários. Nascida nos Estados Unidos, a companhia de processamento de transações de ponta a ponta tem operações em 26 países e escritórios em 11 deles.
“O Brasil passou a ser um mercado muito relevante para a companhia, que olhamos com muito cuidado e empolgação. É possível fazer muitas coisas por aqui e entendemos que tem muito espaço para continuar crescendo”, diz Daniel Oliveira, vice-presidente de pagamentos da Evertec, em conversa com Mobile Time.
O executivo enumera três aspectos positivos do país:
– solidez do mercado de pagamentos;
– Banco Central atuante, presente;
– e o sucesso do Pix.
“Tudo isso deixa o Brasil numa posição muito interessante em relação aos demais países da América Latina, região na qual a gente atua”
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Daniel Oliveira, vice-presidente de pagamentos da Evertec. Foto: divulgação
Atualmente, a Evertec possui mais de 1 mil clientes no país, entre os principais bancos e empresas do setor financeiro, inclusive pequenas fintechs e instituições financeiras. “Essa é uma das diferenças que senti neste último ano. A empresa que eu ajudei a fundar tinha uma atuação mais específica – era uma processadora de pagamentos para emissores, como bancos e administradora de cartões e benefícios – e agora temos um portfólio bem maior, com uma série de novos serviços e de softwares que não trabalhávamos anteriormente”, conta Oliveira.
Entre as novidades, a Evertec entrou no segmento antifraude e de softwares dos mais variados. “Hoje, para tentar explicar a empresa no Brasil, precisamos pensar no seguinte: quase tudo o que um banco que precisa fazer a gente consegue ajudar com essa combinação de negócios entre Evertec e Sinqia [fornecedora de tecnologia para instituições financeiras adquirida pela Evertec]”.
Inteligência artificial na Evertec
Recentemente, a Evertec desenvolveu uma solução de inteligência artificial na qual integrou um LLM na ferramenta de conta de pagamentos para permitir operações em linguagem natural. A novidade, voltada para a experiência do usuário, é capaz de organizar dados específicos sobre os hábitos de consumo, calcular abatimentos de parcelas de financiamentos imobiliários entre outras possibilidades.
“A ideia é tentar prover uma alternativa para o usuário. Ele pode entrar no app do banco, selecionar o extrato, mas pode também fazer uma pergunta, em linguagem natural, em qualquer idioma e faz perguntas em relação às transações”, explica Oliveira. Quando questionado sobre um possível fim dos aplicativos de bancos – substituídos por agentes de IA generativa, por exemplo – o executivo preferiu se esquivar e não dar nenhuma previsão.
“Entendemos que este é o começo dessa tecnologia e pretendemos desenvolver produtos muito mais interessantes para que a gente possa fazer consultas em relação a transações que já aconteceram, mas também treinar agentes de IA para poder fazer operações financeiras e interagir com o usuário da maneira mais fácil e intuitiva para aquela pessoa. É a hipercustomização. Ter um agente que entende aquela pessoa, do jeito que ela fala com as peculiaridades da fala daquela pessoa, o jeito como escreve”, diz o executivo.
“A gente sabe que é um desafio para as pessoas aprenderem funcionalidades novas, um novo produto. Ao passo que, quando conseguimos plugar um modelo de linguagem natural – e a gente consegue fazer a tradução entre o que a pessoa quer fazer e o que estamos disponibilizando – é quando a mágica acontece. É como se estivéssemos destravando uma nova interface. E as pessoas estão interagindo de maneira absolutamente natural, o que é transformador”, diz.