A expansão do uso de dados é essencial para a corrida da economia digital. Vai lideraá-la quem souber melhor explorar os dados e coletá-los. Mas os países emergentes e de renda média estão, até o momento, excluídos desta corrida e do processo de apropriação dessa riqueza. É o que afirma Luis Felipe Giesteira, secretário-adjunto do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço). Durante sua participação em webinar promovido no âmbito da Presidência Brasileira do Brics 2025), Giesteira afirmou que os países em desenvolvimento estão ficando para trás.
“Muitas dessas nações estão se tornando meras exportadoras de dados como commodities, enquanto importam soluções e serviços digitais desenvolvidos (no exterior) com o uso de dados gerados dentro de seus territórios”, explicou.
Representantes de países do Brics se reuniram nesta terça-feira, 18, virtualmente, para debater a economia de dados e os projetos que estão sendo realizados nos países do grupo. O webinar foi promovido no âmbito da Presidência Brasileira do Brics 2025, pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço) e pelo Ministério das Relações Exteriores.
MDIC aponta os desafios
Em sua fala, Giesteira explicou que o cenário apresenta uma série de desafios. De um lado, existe um grande potencial para a criação de mercado de dados para acelerar a produtividade e que leve a um novo modelo de negócios para a economia.
Por outro lado, o desenvolvimento só terá resultados efetivos com regras claras garantindo acessos iguais a esses ativos para todos os atores envolvidos no processo.
“Uma questão particular e relevante diz respeito a quem gera os dados, quem são os donos deles e quem tem o direito de usá-los. Com a adoção em larga escala de dispositivos conectados, empresas que fornecem essas tecnologias acumulam um significativo volume de dados os quais não são sempre acessíveis a seus donos por direito, sejam eles indivíduos ou empresas”, continuou.
De acordo com o secretário-adjunto do MDIC, o modelo permite que as empresas coletem os dados e os usem para fins nem sempre aliados aos interesses de seus proprietários. Existe uma falta de transparência na relação entre as plataformas digitais e seus usuários, assim como são preocupantes em relação à cibersegurança e infraestrutura nacional.
“Restabelecer a dinâmica de poder entre os stakeholders envolvidos em coleta, processamento, tratamento e geração de valor dos dados criando espaços para o compartilhamento de dados não é só uma questão de direitos individuais, mas também uma estratégia para aumentar a produtividade e competitividade, acelerando a emergência de inovação e novos modelos de negócio na economia digital”, disse.
Foto: À esquerda, Luis Felipe Giesteira, secretário-adjunto do MDIC. Crédito: reprodução de vídeo