A aposta de algumas empresas em manter equipamentos 2G e 3G por uma conectividade mais barata é um risco. É o que acredita André Martins, CEO da NLT Telecom, ao lembrar que a tecnologia é obsoleta e está em rota de desligamento pelas operadoras para reuso dos espectros.
“Quando falamos de rastreadores pequenos de veículos ou subadquirentes com máquina de pagamento (POS) que ainda usam conexão 2G, eles correm risco ao usar essa tecnologia. Foram avisados [do desligamento das redes] há quatro anos. Portanto, quem compra equipamento de 2G hoje está se arriscando”, afirmou Martins.
Durante o Fórum de Operadoras Inovadoras, evento organizado por Mobile Time e Teletime nesta quarta-feira, 19, em São Paulo, o executivo da MVNO de IoT afirmou que a escolha dessas companhias pelo 2G é “uma questão mais mercadológica que tecnológica”.
O CEO da MVNO especializada em IoT descreveu que essas empresas já encontram problemas de conectividade nessas tecnologias mais antigas. Apesar de agnóstica e oferecer um amplo cardápio de conectividade, do 2G ao 5G, os clientes da NLT que insistem em gerações anteriores estão encontrando problema de falta de acesso em regiões que passaram pelo RAN Sharing da parceria entre Vivo e TIM, que envolve o desligamento de parte das antenas 2G e 3G das operadoras.
Fim do 2G e 3G é ‘irreversível’

Paulo Spacca, presidente da Abinc (foto: Galeria Marcos Mesquita/Mobile Time)
Por sua vez, Paulo Spacca, presidente da Abinc, reforçou que “o desligamento do 2G e 3G é irreversível” e que players do mercado que ainda investem e mantêm conectividade nessas tecnologias antigas precisam entender a necessidade de mudar para padrões mais novos, como 4G e 5G.
“Se a relevância da empresa é o custo, ela vai se arriscar no dispositivo barato que vai utilizar. Qualquer um que mantenha equipamentos com 2G e 3G, quem estiver fazendo isso, está dando um tiro no próprio pé”, completou Spacca.
O representante da associação de IoT reforçou que esses players, se não fizerem a atualização tecnológica, correm o risco de serem substituídos e ficarem de fora do mercado.
“Nós sabemos que a Anatel não homologa mais equipamentos 2G e 3G. É um trabalho que, principalmente, o pessoal de rastreamento vai reclamar porque eles têm muitas conexões nessas duas tecnologias. Sim, há uma dificuldade de trocar a tecnologia e comparar os custos. Mas (o desligamento) é uma realidade que não tem jeito. Não há o que fazer. Não dá para eles ficarem fora do mercado. O pessoal posterga pelo custo, mas hoje os caminhões já saem com eSIM, por exemplo”, disse.
Ainda assim, o especialista reforçou que a Anatel não deve fazer um desligamento abrupto. Spacca acredita que a atitude será muito mais de ações para o mercado se preparar, como ocorreu com o fim da homologação de devices em 2G e 3G.
Imagem principal: André Martins, CEO da NLT Telecom (foto: Galeria Marcos Mesquita/Mobile Time)